Natal: festa na terra e no Céu

Ao meditar sobre o ambiente onde nascera o Menino Jesus, em Belém, Dr. Plinio narra saudosas recordações dos Natais que passara em seu tempo de menino.

O Natal é o primeiro passo — quão humilde, velado e discreto — que o Rei glorioso haveria de dar no caminho de sua dor, sua luta e sua vitória.

A palavra agonia, em grego, quer dizer luta. Os atletas que lutavam nos circos eram chamados agonistas. E a agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo foi propriamente sua luta heroica durante a Paixão: Ele imergiu na morte para depois ressuscitar, a fim de nos salvar e podermos reinar ao seu lado no Céu.

Numa gruta em Belém…

O Natal evoca um casal colocado na situação mais triste que uma pessoa possa ter na Terra, na ordem humana dos valores.

A casa de David estava de tal maneira posta de lado, que São José era um carpinteiro pobre. Ele, príncipe da estirpe de David, vai registrar-se em Belém para obedecer às ordens de um soberano estrangeiro, César Augusto, que dominava naquele tempo a Terra Santa. O descendente dos antigos reis vencidos obedece ao decreto do imperador vencedor.

Qual a razão desse decreto de César Augusto?

Vaidade! Ele queria saber quantos homens estavam submetidos ao seu poder, e por causa disso mandou que cada um se recenseasse no lugar de onde era sua família. A de São José era originária da cidadezinha de Belém.

Podemos imaginar Nossa Senhora, na posição difícil de uma mãe que está com uma criança para nascer, montada num burrico, e São José andando a pé. Chegando a Belém, batem de porta em porta pedindo hospedagem e ninguém os acolhe. Foram então a uma gruta onde ficavam os animais.

Nessa gruta se deu o acontecimento mais importante da História: o Filho de Deus, feito carne no seio puríssimo da Virgem Maria, veio ao mundo.

Houve ali uma alegria feita de contraste: uma grande miséria, mas uma grande elevação; uma riqueza à qual nada se compara na Terra, o Filho de Deus feito Homem colocado no lugar mais pobre, numa manjedoura de animais.

A glória, à qual ninguém sabe dar valor, exceto aquele casal, está ali representada no estado de um Menino débil, frágil, que chora, tem fome e estende os bracinhos para a Mãe.

E no Céu, na maior festa até então realizada, todos os Anjos — querubins, serafins, arcanjos —, em coro magnífico com brilho extraordinário, glorificaram a Deus pelo Natal de Jesus Cristo. Esta glória impregnou a gruta discretamente, porque era preciso que somente as almas de Fé a sentissem. E, excetuando Nosso Senhor Jesus Cristo, a maior alma de toda a História — a qual vale mais do que todos os Anjos e todas as almas que houve, havia e haverá até o fim do mundo — estava ali reclinada, rezando: Maria Santíssima. E orando a Ela e ao Menino Jesus, o homem que teve a honra de ser escolhido para Seu esposo.

Vemos assim como é dentro de um quadro da maior pobreza que nasce a maior de todas as glórias.

Nossa Senhora e São José viam aquele Menino chorar, dando a entender que queria alguma coisa, ou que estava com frio. E a Santíssima Virgem O vestiu com as roupinhas que Lhe havia preparado, sabendo que Ele era o próprio Deus cheio de glória, uma só Pessoa, embora em duas naturezas. Aquela Criança era o Criador d’Ela, que Lhe abria os braços; e o dono de todo o universo, que chorava desejando receber um pouco de leite e roupa para se cobrir.

Aerologia do Natal

Tendo Ele nascido à meia-noite, podemos imaginar o que seria esse horário num lugar ermo daquelas vastidões do mundo antigo, onde tão pouca coisa se movia. Na cidade de Belém, o silêncio, todos dormiam, tudo estava escuro. Mas dentro daquela gruta, onde estava aquele casal único, havia uma luz brilhante, pois nascera um Menino que era o Rei de todos os séculos, o próprio Deus encarnado.

Isso faz parte do que poderíamos chamar aerologia do Natal, oposta à da Páscoa. Esta é uma grande vitória triunfal que se comunica a todo o mundo. O Natal é um acontecimento divino, mas que se realiza aos olhos de poucos; a maior das glórias reside num Menino e permanece escondida. De maneira que quem contempla aquela cena deseja se recolher, ficar quieto, para senti-la dentro de si, mais do que proclamá-la a grandes brados. Tem reverência enternecida, uma espécie de comiseração de Deus, porque consentiu em fazer-Se tão pequeno; ao mesmo tempo, não sabe como agradecer a honra de tocar de perto em tão alto mistério: o Verbo de Deus assumiu voluntariamente a natureza humana. E encontra dificuldade em exprimir ao mesmo tempo o respeito tão grande, que chega ao temor, e a ternura tão profunda, a qual quase liquefaz a alma.

Então, suma veneração, adoração e ternura, bem como noção de uma honra — perto da qual percebemos que nada somos — e concomitantemente de uma humilhação. Isto explica o que há de noturno no Natal. Não teria beleza abolir a Missa do galo e celebrar o Natal com uma Missa ao meio-dia. Não se compreende que essa festa não seja comemorada à noite, porque sua luz é muito discreta e pede a noite para dentro dela brilhar.

Stille Nacht, a canção natalina por excelência

A alegria do Natal é tão íntima e delicada que teme se expandir inteiramente. O Stille Nacht, a bela música alemã composta no século XIX por um simples mestre-escola, passou a ser a canção de Natal por excelência. Uma de suas genialidades está em que ela consegue exprimir essa delicadeza e intimidade. Dir-se-ia que o coro está na gruta e canta porque ficou tão emocionado, que quase não conseguiu deixar de fazê-lo. Porém, canta baixinho para não acordar o Menino e não perturbar a canção indizível e serena com que Nossa Senhora está embalando o próprio Deus.

Assim, compreendemos o papel do noturno e as mil delicadezas que vibram no Stille Nacht. Essa canção manifesta uma espécie de compaixão em relação Àquele que está sendo celebrado, como que dizendo: é tão pequeno esse Deus infinito, mas tão infinito esse Deus pequeno!

Foram necessários dezenove séculos de meditação para que desabrochasse essa canção, como uma flor dentro da Igreja Católica.

Pressa pelo Natal

Imaginemos a pressa de Maria Santíssima pelo nascimento do Redentor. Pressa que tiveram todos os profetas pela vinda d’Aquele que haveria de pôr as coisas em ordem, esmagar o demônio e os efeitos do pecado original.

Em meu tempo de moço, tal pressa era representada pela expectativa pelo Natal que havia em toda parte na pequena cidade de São Paulo. Essa expectativa — com uma dessas delicadezas de alma que somente a Igreja Católica possui —, para não ficar uma coisa teórica para as crianças, era ao mesmo tempo a pressa da vinda do Menino Deus e também da festa de Natal.

Às vésperas do nascimento de Jesus

Assim como Jesus ficou oculto antes de nascer, a comemoração do Natal se preparava no mistério para as crianças. Os mais velhos confabulavam entre si e combinavam o tamanho da árvore de Natal, seus enfeites, as mesas de doces para a criançada, o que deveria ser diferente do ano anterior, e o presépio a ser posto aos pés da árvore de Natal.

As crianças não podiam assistir a essa conversa. Sentiam que se preparava uma grande festa de alegria não só para o corpo, mas também para a alma. Mais do que isto, era uma festa religiosa: vinham graças de Deus especiais; era como se o Menino Jesus nascesse. Procurava-se ouvir as últimas palavras dos mais velhos, as quais as crianças contavam entre si para conjeturar como seria a comemoração do Natal.

E havia o mistério do presente natalino. As crianças bem novinhas acreditavam que São Nicolau trazia o presente de Natal. Os pais sondavam para saber mais ou menos o que elas queriam, mas nada diziam. E quando as crianças estavam dormindo profundamente, eles colocavam os presentes aos pés das camas.

Lembro-me que dormia na expectativa do dia seguinte. Minha cama era pintada com laca de cor branca, com figurazinhas de santos e cenas pastoris. Havia um quadrinho na parede que dava para o jardim do fundo da minha casa. Atrás desse jardim existia um terreno baldio — São Paulo não era ainda muito habitada — onde havia uma cabana, que datava, creio eu, do tempo dos índios. E dentro dessa cabana, uma quantidade enorme de grilos. Eu adormecia ouvindo os grilos… Parecia-me ser o latejar de todas as coisas à espera do Natal que viria.

Às vezes, minha pressa de receber o presente era tão grande que eu acordava uma ou duas vezes durante a noite e, quando me virava — sempre fui de virar-me muito na cama —, sentia seu peso nos pés, pois em geral, tinha tamanho grande. E eu ficava desejoso de me sentar para ver o presente. Mas não o fazia porque desgostaria mamãe se eu acendesse a luz para olhá-lo; além disso, eu pensava de mim para comigo o seguinte: será mais gostoso ver o presente amanhã cedo e agora continuar a dormir, com a ideia de que ele já chegou e é pesadão, como estou sentindo.

É melhor fruir esta expectativa e amanhã ver o presente, do que destruí-la, brincando excitado com o presente, e depois não conseguir mais dormir. Então eu me afundava nas cobertas e continuava repousando, embalado pela certeza de ter recebido o presente.

Uma manhã de alegria plena

Na manhã seguinte havia o melhor dos acordares para mim. Assim que manifestava alguns sinais de haver despertado, ocorria o que não se dava em nenhuma outra manhã do ano — exceto se eu estivesse doente: mamãe estava — com um olhar que, ao longo de minha vida, nunca recebi igual — aos pés de minha cama, vendo meu acordar, deleitando-se com o prazer que eu iria ter com o presente dado por ela. Porém, mamãe não sabia que para mim a alegria dela era um maior presente do que aquele colocado aos pés da cama. Quando percebia que eu estava inteiramente acordado, ela estendia os braços e dizia: “Filhinho!” E eu, antes de ver o presente, ia para os braços dela, porque sua alegria e a interpenetração de nossas almas valiam mais do que o presente concedido por ela. Ao mesmo tempo em que a abraçava, eu ia olhando para o presente e depois corria para apanhá-lo.

De todos esses presentes, nenhum deixou uma recordação mais profunda em minha alma do que um de grande valor não quantitativo, mas qualitativo: Um grupo de soldadinhos de chumbo, alguns montando bonitos cavalos; tinham couraças de aço e chapéus com a crina caída, e todos com a espada na mão. Esses soldadinhos me deixaram encantado.

E já de manhã havia a distribuição de algumas boas iguarias, pão de mel com manteiga, deixando as mais saborosas para serem servidas à noite. Depois eu ia para o quarto de brinquedos.

Junto à árvore de Natal

A certa hora da noite, todos os primos estavam em nossa casa, com trajes de festa, que eram então roupas de gala para criança, e não esses vestidinhos de hoje em dia. E todos com modos mais respeitosos e elegantes uns com os outros, porque estavam em trajes de gala.

Afinal, aparecia mamãe anunciando que a festa de Natal ia começar. Então íamos para uma saleta onde nos reuníamos, dávamos-nos as mãos e descíamos uma escada externa da casa para o andar térreo, que dava diretamente para o jardim, onde havia uma árvore de Natal. Éramos umas vinte crianças, todas cantando o Stille Natch, e vínhamos trazendo uma imagem do Menino Jesus, que até hoje está em minha casa, a qual todos os anos mamãe adornava com vestidinhos diferentes.

Girando em torno da árvore, cantávamos canções de Natal, já sentindo o cheiro do chocolate com creme chantilly, com o qual iam se enchendo as xícaras; e também o do pinheiro que, ao ser um pouco queimado por algumas velas, deitava um perfume de resina especial, próprio do Natal.

Em tudo isso havia uma alegria cândida, pura, eu ousaria dizer virginal, que não era perturbada por qualquer intemperança. Nenhuma criança fazia travessura, peraltice; todas brincavam entre si com a maior calma, dentro daquela paz que parecia emanar das imagens do Menino Jesus, de Nossa Senhora, de São José e, naturalmente, do boizinho e burrico que em todo presépio não podem faltar.

Essa alegria era algo que não sei exprimir. No fundo, provinha da idéia do Puer natus est nobis — foi-nos dado um Menino —, e participava da felicidade do Céu. Realizava-se como que a repetição do próprio nascimento de Jesus, e sentíamos estar vivendo as graças do primeiro Natal.

Plinio Corrêa de Oliveira (Extraído de conferência de 25/12/1976)
Revista Dr Plinio 141 – Dezembro de 2009

Reflexões do Divino Infante

Numa “palavrinha” para discípulos mais jovens, Dr. Plinio imagina como seriam as cogitações do Menino-Deus na Gruta de Belém, na noite de Natal. E nos faz admirar, especialmente, como o Verbo Encarnado possuía a suma ciência, tudo compreendia, e sobre nós se debruçava com amor, ao surgir neste mundo.

Como ponto de partida para nossa meditação sobre o Natal, consideremos o seguinte aspecto. Em geral, a iconografia católica nos apresenta o Menino Jesus com as características de uma criança recém-nascida, ainda sem o uso da razão, possuindo todas as limitações inerentes à primeira infância.

Uma criança com pleno uso da inteligência

Essa representação é justa, não encerra nada de censurável, porque o Divino Infante habitualmente se mostrava assim às pessoas com as quais tinha contato. Porém, tais ilustrações não nos propiciam a noção completa da realidade d’Ele na noite de Natal, e por isso algumas raras imagens do Menino-Deus no-Lo mostram com uma fisionomia bem diversa: séria, serena, pensativa, meditativa.

Quer dizer, apesar da exterioridade de uma criança tão terna, o Menino Jesus já possuía o pleno uso de sua inteligência, e desde o primeiro instante de seu ser, no recinto sagrado de Nossa Senhora, Ele já pensava e tinha o conhecimento de tudo.

Primeiros encantos com Nossa Senhora

Assim sendo, poderíamos nos perguntar quais seriam suas cogitações e reflexões naquela ocasião.

Antes de tudo, pensava Ele no Pai Eterno, no Espírito Santo, nos esplendores da Santíssima Trindade, da qual é a Segunda Pessoa em união hipostática com a natureza humana. Ao mesmo tempo, deveria refletir sobre Nossa Senhora, obra-prima de toda a criação. Sem dúvida, constituía para Jesus um profundo deleite considerar Maria Santíssima naquele momento, em atitude de conhecer, adorar, analisar e acariciar o próprio Filho. Alegrava-O vê-La guardar todas as coisas no seu coração, meditando-as, perscrutando nos traços fisionômicos do Menino as correlações com tudo o que Ela, pelo dom da sabedoria, aprendera nas Escrituras acerca do Messias.

Nossa Senhora estabelecia essas ligações com sumo respeito e insondável adoração para com o Divino Infante, que os recebia com verdadeiro encanto, prazer e intenso amor por sua Mãe.

Ali estava também São José, e a Santíssima Virgem já exercia sua mediação, apresentando ao Menino Jesus as orações de seu esposo, pai adotivo d’Ele. Embora não fosse o progenitor segundo a carne, tinha um autêntico direito sobre o fruto das entranhas sagradas de Maria e, portanto, sobre o Recém-nascido.

São José adorava o Menino Deus, agradecia a honra de ser seu pai e Lhe apresentava suas preces por meio de Nossa Senhora.

Vistas proféticas sobre a História

Mas o Verbo Encarnado não circunscrevia suas considerações a esse quadro radioso. Ele pensava igualmente nos anjos, nos pastores que vinham adorá-Lo, e nos Reis Magos, os quais se aproximavam de Belém e logo se prostrariam a seus pés. Além disso, podemos supor que refletia a respeito das razões que O levaram a tomar nossa natureza humana e nascer para o tempo. Esses motivos se estendiam, com vistas proféticas, ao longo de toda a História. E foi exatamente esta a meditação feita por Ele, trinta e três anos depois, no alto da cruz: durante a existência da humanidade, sofreria muitas ingratidões, mas também suscitaria incontáveis atos de adoração.

No presépio, Ele via então todos os Natais da História, até o fim do mundo, com os mais diversos modos de se prestar veneração e reconhecimento ao Filho de Deus. Contemplou, por exemplo, São Luís Rei que, maravilhado diante de uma imagem do Menino Jesus, foi o primeiro — acredita-se — a se inclinar quando entoadas as palavras do Credo: “… e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”. Como considerou a todos nós que, à imitação daquele grande monarca francês, fazemos o mesmo gesto ao rezarmos essa passagem do Símbolo dos Apóstolos.

Quiçá terá antevisto os poucos ­fiéis no fim do mundo — antes de Ele retornar à Terra em sua pompa e majestade — cantando pela última vez o Credo, e se inclinando ao pronunciarem aquelas palavras.

Ponderava, enfim, todos os relacionamentos de alma dos homens com Ele e com Maria Santíssima, a propósito do Natal.

Peçamos graças para cumprirmos nossa vocação

E já no seu pobre berço, sofria ao prever a incredulidade e a impiedade se espalhando em tantos lugares da Terra, diante da apatia e indiferença de muitos que se pretendem seguidores d’Ele. Mas, por outro lado, o Menino Jesus contemplou também todas as almas católicas, zelosas da glória e do serviço de Deus, vivendo e batalhando para o triunfo da virtude, sofrendo com os pecados e as ofensas que os homens cometem contra Ele, reparando-as com penitências e espírito de ascese.

Desse modo, a mente e o coração sagrados do divino Recém-nascido, desde aquela ocasião, voltava-se para os católicos fervorosos, e implorava ao Pai Eterno, em favor deles, as forças necessárias para perseverarem no bom combate que devem travar pelo bem e pela Santa Igreja.

Então, acerquemo-nos do Presépio, e por meio de Nossa Senhora, São José, dos anjos, dos pastores e dos Reis Magos, peçamos a Jesus que aceite nosso desejo de sermos conforme seus divinos desígnios para conosco, o nosso anelo de nos unirmos às cogitações, às meditações e às considerações proféticas que fez na manjedoura, para vivermos o Natal em uníssono com Ele.

Roguemos ao Menino Jesus nos conceda o mesmo amor que Ele teve a tudo quanto hoje existe de bom sobre a face da Terra, próximo a nós, em nosso movimento, assim como ao bem que almas esparsas pelo mundo estarão realizando, por perseverarem no cumprimento da Lei de Deus, nos ensinamentos da doutrina católica apostólica romana.

“Dai-me tudo que de Vós me aproxima…”

São estas algumas das importantes intenções que devemos formular no Santo Natal, e assim implorarmos uma inteira união de alma com o Divino Infante, de maneira a que tudo quanto exista no coração d’Ele esteja no nosso; tudo quanto palpite no Imaculado Coração de Maria lateje também no nosso, e que o Natal celebrado por nós reflita exatamente o sentido de tudo quanto Jesus e Maria experimentaram naquela noite mil vezes bendita nas montanhas de Belém.

Alguém poderia lembrar: “Não posso pedir algo para mim, de caráter pessoal e material?”

Sem dúvida, é uma petição inteiramente legítima. Se tivermos as vistas postas, antes de tudo, nos bens espirituais, em nossa santificação e salvação eterna, suplicada para nós e pelos outros, é lícito que contemplemos também nossas necessidades temporais, uma vez que não comprometam em nada o interesse maior da alma.

Nesse sentido, convém nos lembrarmos da bela e concisa oração formulada por São Nicolau de Flue: “Meu Deus, dai-me tudo que de Vós me aproxima; tirai-me tudo que de Vós me afasta”. Eis um excelente pedido para apresentarmos ao Menino Jesus, a rogos de Maria Santíssima e São José.

Plinio Corrêa de Oliveira
Revista Dr Plinio 93 – Dezembro de 2005

Confiança na prova e na borrasca

Quanto é doce, Senhora, vossa afabilidade! E quão imperscrutáveis vossos desígnios! Vós nos fazeis sentir de mil modos — nos dias de penumbra, como nos de luz — as delicadezas radiosamente sábias de vossas vias. E, ao mesmo tempo, as minúcias de vossas misericórdias. É o conjunto de luzes que acendeis ao longo de nossos passos.

Luz necessária, porque desejais que caminhemos,  o mais das vezes, cercados de sombras, encontrando mil pedras pelo caminho e, não raro, atrás das pedras, emboscadas inesperadas.

Quereis que confiemos na  prova e na borrasca. Mandais uma e outra para que sejamos abnegados. E mandais vossas carícias para que avancemos na Fé. Essa é a majestade régia de vossa via. Ajudai-nos ao longo dela, ó Senhora de Sabedoria e Mãe de Misericórdia. Amém.

(Oração composta por Dr. Plinio)