Entusiasmo e amor pelo Papado

Nunca será demasiado procurarmos recordar as grandezas do Papado, admirá-las, entender o seu papel na História e na vida dos homens, para assim crescermos no amor a essa instituição admirável que Nosso Senhor estabeleceu como cabeça da Igreja.

A fim de melhor fazê-lo, convém tomarmos em consideração a importância da própria Igreja no existir da humanidade.

A missão de ensinar e governar

A Santa Igreja Católica Apostólica Romana é especialmente constituída por aqueles que crêem e declaram acreditar em toda a doutrina por ela ministrada. Naturalmente, estes devem praticar os Mandamentos e freqüentar os sacramentos. Mestra, ela lhes ensina aquilo no que precisam crer: se o fazem, com o auxílio da graça divina e de Maria Santíssima, serão salvos; caso contrário, correm o risco de se condenarem.

No conjunto da Igreja, os leigos são os discípulos, enquanto à Hierarquia cabe a missão docente, cuja formação aceitamos com enlevo e respeito, deixando-nos educar por ela. Temos, portanto, uma sociedade constituída por aqueles que ensinam e pelos que são ensinados.

Porém, a Igreja não se limita a instruir. Ela governa, guia, oferece diretrizes aos homens, em ordem à salvação deles. Por exemplo: “Compareçam à Missa no domingo e dias de guarda; confessem-se e comunguem uma vez por ano; façam jejuns em certos dias”, etc. Além disso, ela promete indulgências a quem praticar determinados atos, e se reserva o direito de aplicar sanções e penalidades quando julgar necessário. A Igreja não é apenas Mestra, mas Mãe. Em relação aos seus filhos, a mãe os governa e educa, com bondade e firmeza, para levá-los a seu normal desenvolvimento, assim como a Igreja conduz as almas a fim de alcançarem o Céu.

Especial tarefa de santificar

Ademais de governar e ensinar, outra missão cabe ainda à Esposa Mística de Cristo: a de santificar.

Essa ação santificante da Igreja se realiza através do sobrenatural, ou seja, da graça divina. Para entendê-lo, imaginemos o homem mais dotado de boas disposições que tenha nascido, sem contudo conhecer a Igreja. Se lhe apresentarem os Dez Mandamentos, ele poderá se entusiasmar e dizer: “Vou cumpri-los!”

Mas, em virtude do pecado original, todos os homens se tornaram tão inclinados para o mal, que nem mesmo esse indivíduo privilegiado conseguirá observar na totalidade e de modo durável a Lei de Deus. Ele fracassará e cometerá faltas, arrastado por essa triste tendência. Então, é mister a ajuda sobrenatural para que o homem logre praticar os Mandamentos, bem como todas as virtudes necessárias para subir ao Céu.

Tal socorro, como dissemos, lhe vem pela graça, participação criada na vida incriada de Deus que o Senhor nos concede. Dom maravilhoso, cuja ação benéfica eleva nossa alma, a fortalece, dá-lhe a indispensável clareza de espírito para crer nas verdades eternas, infunde-lhe vigor e disposição para obedecer e cumprir os Mandamentos divinos e os preceitos eclesiásticos.

Ora, a distribuição da graça é a obra santificante da Igreja. Das mãos desta – notadamente através dos Sacramentos – o homem recebe as dádivas celestiais. Quer dizer, o Batismo, a Confissão, a Comunhão, a Unção dos Enfermos, etc., são meios pelos quais a graça penetra na alma humana, podendo ser obtida igualmente pelas orações recitadas com piedade e perseverança, pela intercessão dos santos e, claro, de Maria Santíssima, Medianeira universal de todas as graças.

Compreendemos, pois, como a Igreja realiza a obra da salvação. Ela ensina o que devemos saber e crer; nos orienta à prática da virtude; nos obtém as forças necessárias para atingirmos nossa salvação. É a Igreja docente, a que governa e, sobretudo, santifica.

Tal é a beleza da missão da Igreja, centro de tudo, para o qual devem convergir as atenções e o amor de todos os homens. Se estes a aceitarem e reconhecerem como Mãe e Mestra, todos se santificam, tudo floresce na Terra, e as almas se salvam. Se, pelo contrário, a Igreja não for vista como deve ser, em pouco tempo os espíritos se estiolam e se perdem.

O Papa, máximo representante de Cristo na Igreja

Agora, no ápice dessa constituição encontra-se o Vigário de Cristo, o Papa, máximo representante de Nosso Senhor na Igreja. A ele toca, em grau eminente, aquilo que os outros ministros eclesiásticos podem ter de um certo modo. O Soberano Pontífice é o mestre dos mestres, e exerce os poderes de ensinar e governar acima de toda a Hierarquia. Os bispos e párocos formam e orientam os fiéis, na medida em que estão unidos ao Sucessor de Pedro. Se romperem com este, perdem seu papel orientador e docente.

A esse propósito, lembro-me de ter tido notícia de um caso infeliz. Em meados do século XX, certo bispo de uma cidade paulista começou a propagar heresias, e a Santa Sé, muito clemente, avisou-o e o afastou da diocese, sem excomungá-lo. Tendo ele insistido nas doutrinas errôneas, o Vaticano advertiu: “Se continuar a difundir esses erros, será excomungado!”

O bispo não deu ouvidos, e acabou recebendo o castigo que merecia. Depois disso, esse prelado não teve nenhum poder sobre os fiéis. Ficou pulverizado. Rompeu com o Papa, rompeu com tudo.

Pedro é o tronco da árvore por onde passa toda a seiva. Unidos ao Papa, os homens se salvam. Desligando-se dele, se desviam. Não há, portanto, quem ocupe cargo mais alto na Terra do que o Papa. E não existe coisa mais bela do que amar , venerar e servir o Romano Pontífice.

Bela manifestação de amor ao Papa

No século XIX deu-se um lindo episódio ao qual os historiadores, exceto os que tratam do Papado, quase não se referem: uma espécie de cruzada em defesa do Vigário de Cristo. Menos ainda mencionam o fato de que desta cruzada fizeram parte vários sul-americanos, entre eles alguns brasileiros.

Naquele tempo, o Papa era rei da cidade de Roma e de territórios circunvizinhos. Movidos por inimigos da Igreja, o monarca Vitor Emanuel e o general Garibaldi, que o servia, resolveram conquistar a Cidade Eterna e arrancá-la ao Pontífice. Ao saberem da perigosa situação em que se encontrava o Pai da Cristandade, católicos do mundo inteiro acorreram para defendê-lo e lutar por ele. Eram os chamados zuavos pontifícios. Embora pouco numerosos, combateram heroicamente, infligindo grandes derrotas aos adversários, sobretudo na acirrada batalha de Mentana.

Devido às circunstâncias, o Papa acabou perdendo o reino de Roma, mas a epopéia dos zuavos ficou sendo para sempre uma das mais belas manifestações de veneração ao Papado.

E assim temos uma breve noção do esplendor da instituição pontifícia. Se não houvesse uma autoridade suprema em sua Hierarquia, a Igreja se tornaria um caos, e a salvação das almas estaria gravemente prejudicada. Tudo isso se evita, porque há um Papa.

Numa palavra, o Sucessor de Pedro é o ponto central da vida dos homens, e para ele deve se voltar todo o nosso entusiasmo e amor.

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