Artigo

Na atmosfera do Coração de Jesus

Sempre estendendo ao próximo a imensa bondade que a caracterizava, inclusive àqueles que a serviam nos deveres domésticos, Dª Lucilia conquistara a afeição de Olga, dedicada empregada que a auxiliou fielmente por mais de vinte anos.

O casamento de Olga

Ao cabo desse tempo, porém, Olga resolveu contrair segundo matrimônio. Caminhava já para a velhice, e sua filha Carlota atingira os 30 anos. Quando as tratativas do casamento já estavam acertadas, a Olga procurou Dª Lucilia e, apesar de um pouco embaraçada por ter de ir embora, numa situação em que seu auxílio era mais necessário, deu-lhe a notícia:

– Dª Lucilia, eu precisaria comunicar à senhora uma coisa que me entristece: vou ter de deixá-la. Mas é meu dever e vou cumpri-lo. Eu estou noiva.

Sem externar a surpresa que tal anúncio lhe causara, Dª Lucilia calmamente perguntou à empregada:

– Mas, seu futuro marido é um bom homem?

Olga respondeu que assim lhe parecia, e ele gozava de boa reputação no bairro em que morava. Ademais, tinha uma boa situação financeira, sendo proprietário de uma pequena serraria no ABC.

Sempre pensando no bem do próximo, Dª Lucilia perguntou ainda:

– O que vai ser feito da Carlota?

– Ah! Dª Lucilia, ela vai morar conosco – respondeu a Olga.

Sem deixar transparecer uma certa tristeza que a separação lhe causaria, pois tomara verdadeira afeição pela Olga e sua filha, Dª Lucilia a felicitou muito pelo novo casamento, desejando-lhe toda espécie de bênçãos e proteção divinas.

Poucos dias depois, a Olga apresentou seu noivo a Dª Lucilia e a Dr. Plinio. Tratava-se realmente de um homem sério, direito, calmo, originário de um país de língua alemã.

Afinal, passadas algumas semanas, a Olga se casou, despedindo-se com imensa gratidão de Dª Lucilia, da qual recebeu, como prova de sincero afeto, um belo presente de casamento.

Não muito tempo depois, dar-se-ia o falecimento de Dª Lucilia. Tendo perdido o endereço da Olga, Dr. Plinio não teve como lhe comunicar o fato. Qual não foi sua surpresa quando, certo dia, recebe a visita daquela antiga empregada. Ela vinha cuidadosamente trajada. Não se sabe por que vias, chegara-lhe, lá no ABC, a notícia de que Dª Lucilia deixara esta vida.

Profundamente contristada, fez referências cheias de saudades à sua antiga senhora. Pediu desculpas por só então ter sabido do triste acontecimento, e queria recordar também, naquele lar, as mil bondades de que fora objeto por parte de Dr. João Paulo, de Dr. Plinio e especialmente de sua benfeitora, deixando-lhe algumas flores no quarto.

Depois se despediu, e nunca mais Dr. Plinio teve notícia dela, nem da Carlota.