Dr. Plinio: Varão Católico


Louvor ao "Rei Pacífico"

Sua Santidade o Papa Pio XII foi coroado em 12 de março de 1939, num contexto mundial marcado por trágicas circunstâncias. O espectro da Segunda Grande Guerra assombrava os horizontes europeus; tropas se movimentavam, e o exército de Hitler invadira a Tchecoslováquia. Poucos meses depois, em setembro, seria a vez da Polônia, desencadeando o universal confronto.

Em meio a essa grave conjuntura, pois, Dr. Plinio assim comentava, nas páginas do "Legionário", o jubiloso coroamento do Papa Paccelli:

No dia em que se desenrolam em Roma as cerimônias faustosas da coroação do novo Pontífice, deve ser grato aos corações católicos meditar atentamente as circunstâncias dentro das quais essa solenidade se realiza. (...)

Os novos césares, como o exige a natureza das doutrinas que pregam, sentem a necessidade de confirmar sua autoridade com os sinais exteriores do poder, desenvolvidos através de imponentes cerimônias cívicas. E, com isso, todo um cerimonial político renasce em nossos dias, que bem poderia ser chamado a liturgia faustosa dos novos ídolos que as massas levantam acima de si mesmas, para lhes prestar adoração.

Interessante é notar, a esse propósito, o ambiente que cerca essa nova e estranha liturgia política. Duas notas a caracterizam: força e domínio. Atente-se para uma cerimônia nazista. Em algum imenso estádio da Alemanha, comprime-se uma multidão incontável, que se torna cada vez mais densa porque os ônibus e os trens despejam ondas humanas sempre mais numerosas. Para encher o tempo, inúmeros alto-falantes transmitem a voz de um locutor. Do que fala ele? Da luta do partido nazista, de suas vitórias passadas, dos inimigos que esmagou, esmaga e esmagará. Quando, ao cabo de uma longa série de injúrias e de ameaças, o locutor se cala para tomar fôlego, a multidão entoa cânticos guerreiros. Refletores deslumbrantes erguem para o céu colunas verticais. Uma tribuna imensa, composta de blocos graníticos pesados e brutais, se ergue no centro de tudo isso. De repente, estrugem gritos e urros de entusiasmo. É o "führer" que chega. As canções guerreiras redobram. Os canhões estrugem. A multidão ulula como um mar enfurecido. O "führer" começa a falar.(...)

Continua...

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