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Em 7 de junho de 1909, Plinio era batizado...

O Reino de Maria, nenhum costume será mais adequado do que cada pessoa festejar com grande solenidade a data de seu Batismo.

Porque o ser de uma pessoa, no sentido natural da palavra, lhe vem no dia em que é concebido e tem um determinado fim: conhecer, amar e servir a Deus nesta Terra e dar-Lhe glória no Céu. É pelo Batismo que o indivíduo se encaminha para esse fim, tornando-se membro da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, elevado à ordem sobrenatural, convidado para os mais altos cumes da santidade, do heroísmo, da grandeza de alma.

Se alguém pudesse ter noção do que se dá com ele no momento do seu Batismo, tenho a impressão de que, sem um auxílio especial da graça, desmaiaria ou até perderia a vida! Porque ocorre nada mais nem menos do que o seguinte: a pessoa vive de sua vida natural e, pelo efeito desse sacramento, Deus lhe infunde um dom criado – a graça –, que é uma participação da própria vida divina. Dessa forma, ela é elevada a um nível como o maior rei, imperador, gênio, ou o homem mais glorioso da História não poderiam ser alçados por sua própria natureza nem pelos seus méritos.

Imaginemos um guerreiro impávido que, partindo dos desertos gélidos da Sibéria, atravessasse a Ásia em diagonal e chegasse ao Mar Vermelho, vencendo povos, derrubando tiranos, erguendo principados, instituindo coroas, suscitando o gênio de artistas, de músicos, de engenheiros, de arquitetos para realizarem grandes obras que perpetuassem a lembrança dos seus feitos militares. Suponhamos ainda que fosse bem recebido por todos os povos que, transidos de admiração por tão grande herói, lhe tributassem todas as honras.

Isso não é nada em comparação com uma criança, sem mérito, sobre a qual o sacerdote, derramando água, diz: "Ego te baptizo in nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen!".

Enquanto o sacerdote pronuncia aquelas palavras, no Céu as três Pessoas da Santíssima Trindade atuam simultaneamente e lhe comunicam a graça, passando ela a pertencer ao Corpo Místico de Cristo.

Por que tão grande prêmio para quem nada mereceu?

Pelo simples fato – mas que fato, mas que fato supremo! – de que o Verbo se fez carne e habitou entre nós, nasceu das entranhas puríssimas da Virgem Maria, morreu sob o poder de Pôncio Pilatos para nos redimir, ressuscitou e subiu aos Céus. É essa a concatenação dos acontecimentos que são, a perder de vista, o píncaro da História!

Após ter passado por tantas dores, Jesus do alto da Cruz disse: "Consummatum est".(...) Et inclinato capite, tradidit spiritum – E tendo inclinado sua cabeça entregou sua alma. Naquele momento Ele remiu o gênero humano e conquistou para nós a graça do Batismo.

Compreendemos, então, o significado da data do seu Batismo para uma pessoa que reflete sobre o fato com olhos de Fé. E quanta gratidão deve ter para com Nossa Senhora, que é a Medianeira de todas as graças e lhe obteve esse dom.