Dr. Plinio: Princípios e Pensamentos


Simbolismo e raciocínio no apostolado

A providência concedeu aos homens uma natureza ao mesmo tempo espiritual e material: somos alma e corpo. Nosso conhecimento não pode ser, portanto, comparado ao dos anjos, puros espíritos. Estes conhecem diretamente as coisas, ao invés dos homens que necessitam analisá-las, digamos, com dois olhos e não com um só, conjugando a ação das duas vistas para formar em nossa mente uma imagem completa do que é observado.

Intelecto e simbologia

Entenda-se, não me refiro às duas vistas físicas, mas procuro fazer uma paralelo: por um lado analisamos as coisas pelo intelecto, e por outro, as vemos através dos símbolos.

Com efeito, o homem só conhece inteiramente algo pelo lado doutrinário quando o compreende também pelo simbólico. E reciprocamente, apenas tem verdadeira idéia de seu aspecto representativo quando entende bem o doutrinário. É a convergência dessas duas visões que proporciona o conhecimento cabal, como os dois olhos produzem a vista exata.

O homem, maior símbolo de Deus

Entre os símbolos de Deus nesta Terra, nenhum tem tanto valor quanto o próprio homem. Quer dizer, cada coisa simboliza, de algum modo, o rei da criação, o qual se espelha no conjunto delas. Assim, o mar, um pássaro, uma pedra preciosa, têm importância simbólica na medida em que representam o homem, e o fazendo, simbolizam a Deus, pois somos imagem e semelhança do Altíssimo.

Tomo como exemplo ilustrativo as manifestações artísticas dos povos orientais. Ali encontramos inúmeras e lindas realizações dessa natureza. Pensemos no turbante de marajá com aigrettes, ou no fez, aquele barrete muito usado na Turquia, ambas as peças ornadas com gemas preciosas, são costumes encantadores. E sua beleza reside no fato de simbolizarem a mente humana. Devendo comparecer a um ato solene, o personagem ilustre escolhe um diamante, um rubi, uma safira, adorna o turbante ou o fez, para com essa pedra destacar tal aspecto de sua personalidade. No caso da aigrette, esta faz o papel de síntese da pessoa que a porta; as plumas esvoaçando acima da cabeça têm algo de superiormente belo, agradável, atraente...

Assim, cumpre sabermos ver em todas as coisas símbolos da alma humana e, portanto, de Deus. Aliás, podemos explicar melhor nossa natureza humana por analogia com seres inferiores a nós.

Por exemplo, tal pessoa é comparável a um leão, a uma águia, a um brilhante. Porém, o veio simbólico de nossa personalidade se anima e se alimenta, sobretudo, com o conhecimento de outros homens cujas mentalidades nos modelam. A influência exercida de um ente humano sobre outro é a ação de presença, a qual não é fácil definir, pois encerra muitas complexidades. Em linhas gerais, dir-se-ia que a ação de presença de qualquer pessoa é tudo aquilo que vemos, ouvimos e sentimos ao entrarmos em contato com ela.

Continua...

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