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Creio na Santa Igreja Católica Apostólica Romana: Profunda adesão à Igreja

As recordações dos meus tempos de menino e adolescente se situam de modo preponderante no contexto de minha família materna, pois foi no seio desta que cresci e me formei. Circunstância compreensível, se levarmos em consideração o fato de eu ter nascido em São Paulo e de ser meu pai, Dr. João Paulo Corrêa de Oliveira, natural do Estado de Pernambuco, onde residiam todos os seus. Ora, naqueles primórdios do século XX as distâncias entre as diversas regiões brasileiras se faziam ainda maiores, em virtude da precariedade dos meios e vias de locomoção. Assim, foi ele a única pessoa de minha família paterna que teve algum papel na constituição do meu caráter.

Era um homem saudável e robusto, à semelhança dos senhores de engenho dos quais descendia, algo dado a gracejos e ditos espirituosos, vez ou outra acompanhados de sonoras gargalhadas.

Menino calmo e temperante

Porém, apesar de sua vivaz presença nordestina, quando comecei a dar acordo de mim, meus primeiros contatos temperamentais e emotivos foram com a família materna, posto o intenso vínculo e a consonância de alma que cedo se estabeleceram entre mim e Dª Lucilia, minha extremosa mãe. Os Ribeiro dos Santos, dos quais ela procedia, vieram de Portugal para São Paulo no tempo de Dom João VI. Era uma família em lenta e constante ascensão social e econômica, tendo na época do império ocupado boas posições e produzido alguns homens de destaque. Com o advento da República, tornou-se fecunda em engendrar figuras eminentes para o círculo doméstico – advogados, fazendeiros – e também alguns políticos.

Após seu casamento, meu pai alugou uma pequena casa a pouca distância da residência dos sogros dele, Dr. Antônio e Dª Gabriela, para que mamãe tivesse facilidade de contato com seus pais e seu ambiente. Nasci nesta casa, no dia 13 de dezembro de 1908, mas praticamente não a conheci: cerca de um ano depois falecia meu avô materno e, por sugestão de vovó Gabriela, nos mudamos para o palacete da Alameda Barão de Limeira, no bairro de Campos Elíseos. Minha infância, portanto, transcorreria nesse casarão no qual habitavam, além de meus pais, uma tia com seu marido e uma filha, ocupando aposentos inteiramente distintos. Ademais, como em geral acontece nas famílias numerosas, era essa casa freqüentada por muitos parentes.

Em vista de diversos fatores constitutivos desse ambiente, diria eu que a característica da primeira quadra de minha vida foi a harmonia em todos os campos. Não havia problemas financeiros, as pessoas eram corteses umas com as outras, o que tornava o convívio sobremodo agradável, repassado de alegria e boa disposição. O quotidiano se desenrolava na serenidade, no bem-estar, num âmbito puro e saudável. Tinha a impressão, pois, do homem que repousa no lugar que lhe convém, sem variação ou mutabilidade.