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Creio na Santa Igreja Católica Apostólica Romana: Afirmação de uma ardorosa catolicidade

Posso dizer que conheci a Igreja num de seus bons períodos, quando a generalidade dos católicos estava reunida em torno do seu Pastor Supremo, sob a desvelada conduta dos respectivos Episcopados nacionais, fazendo com que fosse completa a união entre Clero e fiéis, bem como a dos clérigos entre si. Numa palavra, reinava na Igreja a paz de Cristo.

Filho, como disse, de uma senhora eminentemente católica, cuja influência em minha formação religiosa foi das mais profundas, desde muito cedo comecei a amar a Santa Igreja com transportes de entusiasmo. Porém, não pequena foi minha surpresa quando, em contato com colegas e amigos de minha geração, alheios ao meu círculo familiar, constatei haver uma parte da opinião pública – mais considerável nas camadas altas da sociedade – que se mostrava reticente em relação à Igreja. Nesse meio entendia-se que os homens não deveriam se mostrar católicos, ficando bem apenas ao sexo feminino praticar a religião.

A profissão aberta do catolicismo por um moço o qualificava entre os carolas, pessoas de capacidade intelectual e humana insuficiente. Tal discriminação fazia com que, atemorizados pelo julgamento dos outros, muitos homens não tivessem a coragem de parecer católicos praticantes. Um jovem que o fizesse seria posto à margem no seu próprio meio social.

Catolicismo total

Outro não foi o isolamento de que me tornei objeto, pois sempre professei abertamente, com a graça de Deus, a fé católica apostólica romana. Encontrei, assim, desde o início do curso secundário, oposições muito vivas em torno de mim. Oposições estas que haveriam de se intensificar quando me inscrevi na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, naquela época célebre foco de laicismo e de positivismo jurídico, contrários à doutrina da Igreja.

Lembro-me de que, ao fazer minha inscrição na Faculdade, sentia o coração bater-me na garganta, pelo receio de que tal ambiente corroesse minhas convicções religiosas. Confiando na Santíssima Virgem, com todo o fervor roguei-lhe os meios de conservar a fé católica íntegra, naquele terreno hostil no qual entrava. Como sempre, Ela me atendeu de modo superlativo. Acabei sendo, antes de tudo, católico, de um catolicismo total, completo.

Conservava, entretanto, uma dúvida a respeito de como conduzir minha vida. Porque, ao mesmo tempo em que freqüentava a sociedade, paradoxalmente eu era, em virtude de minhas convicções religiosas, muito retraído. E assim, no quase isolamento, na resolução de lutar e na alegria – cumpre notar – da esperança do meu futuro, transcorreu minha mocidade. Esperança do futuro, sim, pois era nele que eu me refugiava para enfrentar as oposições do ambiente.