Artigo

Respeito e elevação na arte da conversa

Dentro desse tema que vimos abordando, convém tocar num ponto importante: o bom trato.

Em si, é agradável ser bem tratado, como, noutra ordem de coisas, tem-se prazer em tomar um saboroso sorvete. São causas de contentamento para nós. Porém, o trato atencioso não deve ser visto apenas como algo deleitável, mas como manifestação de uma virtude da qual todas as pessoas – sobretudo neste mundo agressivo de hoje – sentem carência: a bondade.

Respeito mútuo

É um erro freqüente em nossa época achar que bom trato é sinônimo de amabilidade e agrado. Tais qualidades fazem parte do tratamento cortês, mas nele também se inclui, de modo primordial, o respeito. Numa relação entre homens, mais do que o afeto, importa que cada um seja respeitado, séria e sinceramente, pelos outros. Sobre este ponto depois se insere a amabilidade, a gentileza, etc.

Quando o respeito mútuo se mostra num relacionamento, Deus está presente. Pelo contrário, havendo agrados, mas faltando o respeito, aqueles são como as cortesias de um vendedor ambulante procurando atrair o público, a fim de vender sua mercadoria.

Portanto, ao tratarmos com alguém, a qualquer pretexto, devemos manifestar-lhe nosso ideal, nosso espírito religioso, e oferecer-lhe uma verdadeira amizade, tudo isso envolto em respeito.

Relação entre pessoas da mesma idade

No tempo da minha infância, as regras de educação eram muitas vezes apresentadas ou recomendadas pelos mais velhos a um menino com o seguinte comentário:

"Faça isto, porque lhe fica bem. Por exemplo, quando estiver recebendo visitas em sua casa, ao transpor uma porta, faça com que elas passem antes. Ainda que sejam mais moças, merecem respeito da parte do anfitrião. Essa atitude lhe convém, e prova que teve uma boa educação."

É verdade, convém, mas não é somente isso.

Se os meus jovens ouvintes, no relacionamento com alguém, empregarem todas as regras de cortesia – compreensíveis mesmo nos dias atuais –, seu conviva se sentirá tratado com consideração. Perceberá que os senhores situam a amizade numa clave superior à do simples companheirismo. Sabem introduzir nessa relação o princípio de que todo homem é um ser dotado de inteligência, vontade e sensibilidade, e, portanto, de algum modo rei da natureza, merecendo enquanto tal o respeito de seus iguais.

De fato, não se deve acatar apenas os superiores, mas também os iguais. Um rei conversando com outro monarca não o trata como se fosse um camarada de sua igualha, e sim como um súdito. Assim se estabelece o trato perfeito.

Naturalmente cerimonioso

A esse propósito, recordo-me de um ilustrativo episódio. Quando adolescente, convidei um colega para jantar em minha casa. Esse rapaz me parecia ter vocação para pertencer ao grupo de jovens católicos que eu pretendia formar, e por isso fazia apostolado com ele. Certo dia, comentávamos uma coisa e outra, e em determinado momento me disse, sem rodeios:

– Você tem algo de muito diferente. Não sei explicar, mas trata os outros como eles não o fazem entre si.