Sob o signo da Cruz

E a vida e obra de Dr. Plinio, tanto em seu labor apostólico quanto nos combates pela Fé, encontraremos a inspirá-lo um acendrado amor à verdadeira Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como podemos atestar pelos pronunciamentos selecionados a seguir*, ele concebia o trabalho e a luta sempre sob o signo da Cruz.

Professor de História que sou, habituado desde minha remota juventude a me debruçar sobre os fatos históricos à procura das Leis com que Deus pauta a existência, o porvir dos povos, e neles inscreve os sinais de sua misericórdia e de sua justiça, sempre me chamou a atenção um fato que tem a sua projeção sobre a realidade natural, até mesmo no mundo animal e vegetal.

Não é verdade que atinge a grandeza efetiva, durável e plena o povo que apenas trabalhou pela sua própria grandeza. A grandeza verdadeira se adquire quando, ademais, o homem, tomando conhecimento de que ele encontrará em seu caminho o adversário a agredi-lo na justiça de suas vias e na santidade de seus propósitos, prepara-se para a luta, enfrenta-a, confia na Providência e vence nessa luta.

Os povos que sabem aliar a luta ao trabalho, sob o signo da Cruz, tornam-se verdadeiramente grandes.

Quando o Brasil tomar para si esse dever de aliar luta e trabalho, qual será a sua grandeza? Ninguém poderá dizê-lo. Ele terá a grandeza de alma proporcionada ao vigor da luta que as circunstâncias lhe tenham imposto e ele saiba travar.

Sobre ele, eterno, imutável, brilhará o Cruzeiro do Sul, que já Pedro Álvares Cabral viu quando as naus com o signo de Cristo vieram aportar em nosso território. E o Brasil de hoje, voltando o olhar para o Brasil de ontem, e enlevado com o Brasil de amanhã, poderá exclamar: “Vivemos dias amargos, mas, pela graça de Deus, soubemos ser grandes, à altura de nosso povo, de nosso território, do Sinal da Cruz esculpido nos nossos céus!”

 Contudo, em nossos dias, mais do que nunca, a grande cruz do homem é a espada. Ser combativo até o fim, com toda a energia, sem nenhuma tolerância podre, sem qualquer defecção, nem recuo medroso, isto é carregar a nossa cruz. Por vezes, devemos representar dentro da Igreja a espada.

Há, por assim dizer, três seções da Igreja: a Igreja gloriosa está no Céu, ela já venceu tudo, está na glória de Deus por toda a eternidade; a Igreja penitente está no Purgatório; a Igreja militante está na Terra, no combate. Se deixa de combater, não é militante. E se não é militante, não é Igreja Católica.

O desabrochar de uma alma não é um processo pacífico como o de uma flor. As almas desabrocham crucificando-se. A cruz para nós tem forma de espada. Nossa cruz é lutar!

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