Características da Revolução

Processo cinco vezes secular, a Revolução tem sua raiz nos problemas de alma mais profundos, de onde se estende para todos os aspectos da personalidade do homem contemporâneo e todas as suas atividades. E nesse pernicioso afã de desordem manifesta ela, como nos aponta Dr. Plinio, algumas características fundamentais.

 

Quais os principais aspectos da Revolução?

Designando a Revolução com o termo “crise”, Dr. Plinio afirma: “Por mais profundos que sejam os fatores de diversificação dessa crise nos vários países hodiernos, ela conserva, sempre, cinco caracteres capitais”: é universal, una, total, dominante e processiva (pp. 22 e ss.).

Como um grande incêndio

Por que a Revolução é universal?

“Essa crise é universal. Não há hoje povo que não esteja atingido por ela, em grau maior ou menor” (p. 22).

Em que sentido a Revolução é una?

“Essa crise é una. Isto é, não se trata de um conjunto de crises que se desenvolvem paralela e autonomamente em cada país, ligadas entre si por algumas analogias mais ou menos relevantes.

“Quando ocorre um incêndio numa floresta, não é possível considerar o fenômeno como se fosse mil incêndios autônomos e paralelos, de mil árvores vizinhas umas das outras. A unidade do fenômeno “combustão”, exercendo‑se sobre a unidade viva que é a floresta, e a circunstância de que a grande força de expansão das chamas resulta de um calor no qual se fundem e se multiplicam as incontáveis chamas das diversas árvores, tudo, enfim, contribui para que o incêndio da floresta seja um fato único, englobando numa realidade total os mil incêndios parciais, por mais diferente, aliás, que cada um destes seja em seus acidentes” (pp. 22-23).

Depois da crise, restam vestígios de Cristandade

Explique a unicidade da Revolução que atingiu a Cristandade.

“A Cristandade ocidental constituiu um só todo, que transcendia os vários países cristãos, sem os absorver. Nessa unidade viva se operou uma crise que acabou por atingi‑la toda inteira, pelo calor somado e, mais do que isto, fundido, das sempre mais numerosas crises locais que há séculos se vêm interpenetrando e entreajudando ininterruptamente. Em conseqüência, a Cristandade, enquanto família de Estados oficialmente católicos, de há muito cessou de existir. Dela restam como vestígios os povos ocidentais e cristãos. E todos se encontram presentemente em agonia sob a ação deste mesmo mal” (p. 23).

Rainha à qual obedecem as forças do caos

Por que a Revolução é total?

“Considerada em um dado país, essa crise se desenvolve numa zona de problemas tão profunda, que ela se prolonga ou se desdobra, pela própria ordem das coisas, em todas as potências da alma, em todos os campos da cultura, em todos os domínios, enfim, da ação do homem” (p. 24).

Face aos acontecimentos caóticos atuais, como explicar que a Revolução seja dominante?

“Encarados superficialmente, os acontecimentos dos nossos dias parecem um emaranhado caótico e inextricável, e de fato o são de muitos pontos de vista.

“Entretanto, podem‑se discernir resultantes, profundamente coerentes e vigorosas, da conjunção de tantas forças desvairadas, desde que estas sejam consideradas do ângulo da grande crise de que tratamos.

“Com efeito, ao impulso dessas forças em delírio, as nações ocidentais vão sendo gradualmente impelidas para um estado de coisas que se vai delineando igual em todas elas, e diametralmente oposto à civilização cristã.

“De onde se vê que essa crise é como uma rainha a que todas as forças do caos servem como instrumentos eficientes e dóceis” (p. 24)(1). v

 

Plinio Corrêa de Oliveira

Revista Dr Plinio 110 (Maio de 2007)

 

1 ) Editora Retornarei, São Paulo, 2002, 5ª edição em português.

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